16 de outubro de 2004

Ainda de férias, e seguindo o conselho da Sofia, deixei Bruxelas e rumei a Amsterdão. Três horas de comboio através de planícies verdes e cheguei ao país das águas. Disseram-me que na Holanda há outras cidades para além de Amsterdão, que têm diques, moinhos, e mais não sei o quê. Talvez. Mas quem, como eu, chega a Amsterdão, sai da estação de comboios e se depara com os canais sobre o Amstel, com as pontes, com os edifícios lindíssimos (todos os edifícios - dos antigos aos novos, dos institucionais aos mais modestos, para comércio, serviços ou habitação, a arquitectura existe!), com o trânsito de bicicletas, com o Red Light District mesmo à frente, sabe que é ali que tem de estar.

Eu sei que tinha dito que as belgas eram giras. Tinha. Mas Amsterdão parece uma cidade género BayWatch: não devem deixar entrar gente feia. Nem autóctones nem turistas. Eu tive sorte porque os meus olhos castanhos, os meus cabelos brancos e o meu ar de ursinho de peluche (estudado ao espelho) dão-me imenso charme. As miúdas são lindas - mesmo as profissionais, que batem no vidro e abrem a porta quando um homem, no seu sossego inocente, vai a passar.

Os tipos, no entanto, são um bocado puritanos (protestantes, vê-se logo...). Há imensas lojas de café, onde não se pode beber álcool. Nem uma cervejita. Só café ou suminhos. Vá lá que não é proibido fumar um cigarrinho, como agora nos pubs ingleses.
E a comida? Não faço ideia. Não é que não me lembre, mas é que há muito shoarma e falafel à venda. Há também sementes, cogumelos e herbal xtc em qualquer esquina. Por falar em sementes, os tipos gostam muito de plantas e de agricultura biológica. Têm um fascínio qualquer por ervas e fungos. Todos cultivam com carinho estes e outros espécimes.

Sim, também há sex-shops, museus, igrejas, sinagogas (a portuguesa bem no centro, a maior do mundo, dizem). Nos museus há mesmo quadros de pintores a sério: Rembrandt, Rubens, Vermeer, Jan Steen. E Van Gogh.
[Porque é que Portugal quase não tem obras de arte do ou sobre o período de ouro da Nação? Não há pintura, escultura, arquitectura (sim há o estilo manuelino...), só há uma meia dúzia de poetas ou dramaturgos... Nem sequer importámos artistas quando tínhamos o dinheiro das Índias e do Brasil. Ainda por cima não temos muitas gajas giras, nem lojas de cafés, nem cidades bonitas e com vida, onde apetece morar (em Lisboa quase nem se pode disfrutar do rio). Oh!, glória de mandar, ó vã cobiça.]

Amsterdão é a cidade mais bonita do mundo.

5 Comments:

Blogger Nino said...

Tenho tomado a liberdade de espalhar a boa nova protestante com que tens encimado o blogue. Empolgante.

16 de outubro de 2004 às 22:57  
Blogger Sofia said...

ò CC vê-se logo que ficaste num hotel decente e não num Flying Pig qualquer (em que se reserva o colchão ...), daí a imagem tão idílica. Mas é verdade que é das mais belas cidades do mundo e das mais puritanas também, por isso as janelas altas sem cortinas, para toda a gente ver que ali não há indecências.
De aproveitar o guito das "descobertas" em favor da arte fizemos das mais belas, a mestiçagem.

18 de outubro de 2004 às 11:29  
Blogger forass said...

Vai um charro de erva? Dos bons!!!

18 de outubro de 2004 às 12:30  
Blogger Bastet said...

Ó CC reparei agora ao ver o teu post que o ursinho que me trouxeste de Amsterdão (e que é lindo obrigada) tem um defeito: traz o charuto cosido noutro sítio.

18 de outubro de 2004 às 12:35  
Blogger cafajeste said...

Logo a seguir de Napoles, S. Petersburgo, Buenos Aires e Porto...

18 de outubro de 2004 às 15:36  

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