10 de setembro de 2004

repostagem de esquerda, a propósito da nossa Terra

Partilho outros católicos (o José, Timóteo Shel, o Zé Maria, por exemplo) a admiração católica pelos comunistas, pela sua honestidade, pela dignidade de homens que lutaram toda uma vida por um ideal que os transcende. Experimento com eles a angústia do silêncio de Deus e, como o José, estou certo que são amados pelo Deus que não reconhecem, mas que abençoa sempre os que têm sede de Justiça.
Respeito e admiro a abnegação do passado de luta comunista por um mundo novo, o sofrimento que os comunistas aceitaram tomar como seu, a vida em clandestinidade no tempo opressor da ditadura, o espírito de missão com que enfrentaram o medo e a adversidade, o sacrifício das suas vidas pessoais e familiares. Prezo a coragem com que enfrentaram os perigos, as perseguições que foram vítimas, as prisões, as torturas, as mortes.
Devemos ao PCP e à sua luta de décadas a liberdade que hoje usufruímos como povo. Mais. Integra o nosso património colectivo, enquanto nação, a luta dos comunistas pela liberdade contra a opressão, pela democracia contra a ditadura, pela justiça social contra as desigualdades. Em prol dos mais fracos, dos pequenos, dos pobres, dos desprotegidos. Em suma, do bem comum.
Já aqui o disse: é devido à minha formação católica e identificação com a Doutrina Social da Igreja que me revejo nos ideais da Esquerda - na indignação perante a injustiça do mundo, no combate contra as exclusões, na sede de liberdade, de igualdade, de fraternidade. Acredito, ao contrário da Direita (mesmos dos cristãos de Direita), que o papel da política, de todos nós, cidadãos (e cristãos) empenhados, é o de tentar transformar o mundo. Não apenas de administrar as desigualdades e de resignar-se com a desordem das coisas.
Na fé que procuro alcançar, o Reino de Deus é uma utopia de libertação absoluta, cuja exigência foi paga por Jesus com a morte. A conversão de cada um implica uma radical mudança do modo de pensar e de agir no sentido de Deus, na construção de uma nova ordem, de um novo sentido de vida que responda aos anseios mais profundos do homem. É o credo último que define todos os cristãos: a fé na ressurreição.
Tal como aos comunistas, também aos católicos se exige o impossível: uma vida impoluta, o trabalho sem cansaço, uma fé sem desânimo, a infalibilidade, a perfeição, a santidade. Aos outros, os que aceitam e se calam perante a injustiça do mundo, os calculistas que tiram dividendos das desigualdades sociais, os que se abrigam no conforto da indiferença, tudo é perdoado: no fundo, eles é que são coerentes na sua praxis.

7 Comments:

Blogger Rui said...

Tiro-te o chapéu, meu bom amigo, por toda a bondade e sede de justiça que a tua alma encerra.

10 de setembro de 2004 às 19:01  
Blogger Gabriel said...

Caro,
Também acredito que a nossa missão seja transformar o mundo, num mundo melhor.
Sendo católico de fé e liberal de ideologia (direita dirão, tanto me faz), não creio, tirandos as pessoas idelógicamente conservadores, que se aceite o mundo como é e que se deseje tão só adminsitrar as desiguldades e resiganr-se a desordem das cosias.
Felizmente existe a diversidade e a liberdade, pelo que creio sinceramente que não existe solução única na via para transformar o mundo. Daí que seja aceitável a existência de pessoas movidas pela fé que se empenham e tem ideologias tão diversas como o comunismo, a social-democracia, a democracia-cristã, o liberalismo, o fascimo, o conservadorismo, etc, com uma mesma fé.
Ou seja, o que não posso aceitar é que se restrinja a "compatibilidade" do catolicismo a uma única ideologia.

16 de setembro de 2004 às 15:49  
Blogger Gabriel said...

Ao contrário dos católicos indicados, não partilho qualquer admiração pelo comunismo. Pelo contrário. entendo ser um sistema ideológico nocivo da dignidade humana e cuja tentativa de aplicação prática foi (e é infelizmente ainda para mais de 1/4 da humanidade) um desastre absoluto.
Não vejo que o comunismo tenha sede de justiça, mas sim de vingança. Já para não falar de misercórdia/amor pelo próximo.
Numa coisa concordo. O seu passado de luta contra a opressão e a ditadura. Toda a abenegação e sofrimento porque passaram são impressionantes do ponto de vista humano.
Mas já não posso de todo concordar que a eles se deva a demcoracia que temos nem a liberdade, uma vez que o seu proposito nunca foi esse. Basta conhecer minimamente a historia do PCP para se saber que nunca eles defenderam a democracia e a liberdade. Nem hoje. Sempre pretenderam e pretendem ainda instalar um sistema político baseado na ditadura do proletariado. A única alteração significativa que se deu nas últimas décadas, foi que a partir de 1975 aceitaram agir politicamente no quadro de uma democracia parlamentar. Mas os objectivos finais permanecem. Basta ler o programa do partido.

16 de setembro de 2004 às 16:04  
Blogger Rui said...

Gabriel, o CC não discute no post o fracasso do comunismo aplicado, o terror de alguns desses regimes, tão simplesmente homenageia as pessoas que buscaram a sua generosidade matricial, padecendo pela humanidade como Jesus Cristo, sem almejarem por uma recompensa pessoal no paraíso, mas merecendo-a.

Recomendo sobre o tema dois livros, que me marcaram fortemente na adolescência: "Monsenhor Quixote", de Graham Greene, e "Dom Camilo" de Giovanni Guareschi.

16 de setembro de 2004 às 23:51  
Blogger Gabriel said...

Excelentes livros,de facto.
Lembro-me bem da primeira vez que li o Monsenhor.
Quanto ao Guareschi e os seus 3 (ou 4?) livros do Don Camilo, são absolutamente geniais e recordo-me de muitos verões, na praia, lá pelos 13/15 anos a deliciar as meninas, lendo em voz alta...

Mas isso em nada altera o que escrevi. Quem se julga comunista naturalmente pode ter bom coração e ser bem intecionado. Era só que faltava que assim não acontecesse. Mas a ideologia é profundamente errada. E a sociedade que pretendem construir é opositora da liberdade.

22 de setembro de 2004 às 00:26  
Blogger Work Buy Consume Die said...

Li este post com muito, muito, agrado: a lucidez da escrita sobre o que a sociedade civil deve aos militantes do PCP é quase sempre ultrapassada pelo ódio a esta ideologia política.

Os meu mais sinceros parabéns por ter, uma forma tão simples, ligado catolicismo ao comunismo. Pela beleza do texto vou, se não houver nada contra, plagiá-lo no meu blogue.

3 de outubro de 2004 às 01:19  
Blogger O Corcunda said...

Ha muito tempo que nao lia tanto disparate! Ou nao conhece a Doutrina da Igreja ou desconhece que o Marxismo e uma realidade transcendente que implica a nao existencia da divindade de Cristo! O Senhor deveria ter mais cuidado com o que diz! Deveria ter vergonha de seus dislates! Qualquer incauto ou ignorante podera fazer fe na idiotia que profere!
Ja percebeu o que esta a dizer? Que tanto uma coisa e verdadeira como o seu contrario, o que e uma impossibilidade logica! Ou acredita em Jesus como ser Transcendente (fundamental para ser catolico!!!), ou acredita no materialismo historico!
V.Exa so pode estar confusa...

12 de outubro de 2004 às 13:28  

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