3 de julho de 2004

aquela Sophia que partiu


Aquele que partiu
Precedendo os próprios passos como um jovem morto
Deixou-nos a esperança.

Ele não ficou para connosco
Destruir com amargas mãos seu próprio rosto
Intacta é a sua ausência
Como a estátua dum deus
Poupada pelos invasores duma cidade em ruínas

Ele não ficou para assistir
À morte da verdade e à vitória do tempo

Que ao longe
Na mais longínqua praia
Onde só haja espuma sal e vento
Ele se perca tendo-se cumprido
Segundo a lei do seu próprio pensamento

E que ninguém repita o seu nome proibido.


Sophia de Mello Breyner Andresen

3 Comments:

Blogger Rui said...

Ela não ficou para assistir, mas nós repetiremos o seu nome até se nos acabar o fôlego.

3 de julho de 2004 às 23:26  
Blogger citras said...

"Ás vezes julgo ver nos meus olhos
A promessa de outros seres
Que eu podia ter sido,
Se a vida tivesse sido outra".
Sophia de Mello Breyner Andresen

5 de julho de 2004 às 11:24  
Blogger citras said...

"Às vezes julgo ver nos meus olhos
A promessa de outros seres
Que eu podia ter sido,
Se a vida tivesse sido outra"
Sophia de Mello Breyner Andresen

5 de julho de 2004 às 11:29  

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