16 de junho de 2004

Querido amigo

Quero, em primeiro lugar, agradecer-lhe a oportunidade que me dá de expor a todos o meu sofrimento e as injustiças que se abateram sobre mim.
Continuo compulsivamente internado nesta clínica e proibido de aceder ao dói-me. - Voltar ao blog está fora de questão - disse-me a Dra. Sílvia - o seu caso requer repouso absoluto. Detesto a Dra. Sílvia! É uma mulher experiente, já ultrapassou há muito a idade reprodutiva, assume as brancas e os pés de galinha sem complexos mas, mesmo assim, detesto-a! Diz que quer ajudar-me a deixar o Lexotan, conversa comigo todas as tardes, é ríspida por vezes: - João, já pensou em deitar fora todos esses frasquinhos?
Olho para os seiscentos e quarenta e sete frasquinhos que pousei nas prateleiras da estante do meu quarto e estremeço. Seiscentas e quarenta e sete caganitas meticulosamente recolhidas, analisadas e catalogadas todas as fezes, todo o trabalho de uma vida! Não, não estou preparado para deitar nada fora! Pergunto: estariam vocês, queridos amigos, preparados para deitar fora todos os posts que até hoje obraram? É infame o que se está a passar comigo! Ninguém pode ser impunemente obrigado a deitar borda fora o seu passado!
João Mendes Cruz (pessoalmente)

3 Comments:

Blogger Rui said...

Finalmente! O João tem toda a razão. Não se pode perder tamanho espólio. A Dra. Sílvia pede-lhe que deite tudo fora, porque não lhe custou nada a criá-lo.

17 de junho de 2004 às 00:38  
Anonymous Anónimo said...

Felicitações pela contratação. Iremos seguir ansiosamente a evolução do percurso clínico do camarada João Mendes Cruz.

Comentário conjunto do timshel e do piquiatra do proletário vermelho

PS.: Adenda do psiquiatra do proletário vermelho: Sublinho de novo a importância da substituição da terapêutica. No caso de impossibilidade de sessões de terapia em grupo, recomenda-se o uso de Xanax. Sobretudo, estou de acordo com a Dra. Silvia, é de evitar completamente a utilisação do Lexotan.

17 de junho de 2004 às 06:31  
Blogger MF said...

Querido João:
Ainda não estou sossegada. Não creio que tenha acesso a ler estes meus comentários mas, se por algum milagre conseguir aceder a este blog, não hesite em pedir ajuda para o que for necessário. A Sara sabe onde está? E a Lena? Credo, se ela o vai ver à clínica ainda lha recomendam como terapia de choque!
Sua amiga,

17 de junho de 2004 às 11:41  

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